Uma micronação, micropaís, país-maquete ou ainda país virtual (termo controverso) é um termo muito abrangente para classificar tanto países muito pequenos, autoproclamados independentes, com um certo grau de autonomia ou não, mas que não são reconhecidos pelas organizações internacionais, quanto para se referir à uma simulação de um país inventado ou reproduzindo condições socio-políticas-culturais de um território preexistente. O termo "micronação" significa literalmente "pequena nação". É um neologismo que se origina em meados da década de 1970 para descrever os muitos milhares de pequenas entidades não-reconhecidas que surgiram na maioria das vezes desde então.

O termo também passou a ser usado retrospectivamente para se referir a entidades anteriormente não reconhecidas, algumas das quais datam do século XIX. Entre os defensores das micronações ("micronacionalistas"), o termo "macronação" é comumente usado para se referir a qualquer Estado-nação soberano internacionalmente reconhecido.

Na lusofonia, o termo "micronação" apareceu primeiro com Pedro Aguiar, em 5 de setembro de 1996 - ao descobrir a existência de outros países simulados na anglofonia semelhantes a Porto Claro -, numa tradução imprecisa do inglês micronation. Como nation em inglês denota, mais do que "nação", um país (território + nação + Estado), o termo seria melhor em português como micropaís.

Micronações são formadas por um indivíduo (as chamadas one-man-nation ou OMN) ou um grupo de pessoas (em inúmeros casos, adolescentes ou jovens adultos) que se reúnem para simular o funcionamento de um país adotando um Estado-nação imaginário como objeto (as chamadas simulacionistas que são muito presentes na lusofonia. Ex: Império Alemão, Reino da Espanha, etc.) ou fazendo proclamações de independência unilaterais em territórios muito pequenos: a maioria proclama sua casa, seu quarto, ou até mesmo, uma praça como sendo um país soberano e independente (essas são chamadas de micronações derivatistas e são muito presentes na anglofonia. Ex: Talossa, Ladonia, Molossia, etc.), seja como atividade lúdica ou por outro fim (como, por exemplo, experimentação didática ou por motivo de protesto: Kugelmugel, Ladonia, Hutt River, etc.).

Poucas micronações na lusofonia surgem pelo motivo do protesto, já que a maioria segue o simulacionismo realista definido e padronizado por Pedro Aguiar juntamente com Cláudio de Castro (fundador do Sacro-Império de Reunião, uma das micronações lusófonas mais famosas). Isso, segundo o ideólogo e jornalista sotoviano Murilo Soto, acabou criando um paradigma dentro do micronacionalismo lusófono e preconceitos contra novas micronações ou micronações que fogem dos padrões lusófonos.

Há outra corrente, a do realismo, que aponta na micronação uma existência real, só que em miniatura (micro-nação = nação em miniatura), não se diferenciando essencialmente da vida de cada um, ou seja, não se trataria somente de uma "imitação", mas de uma realidade plena, com regras e características próprias, além de um "território", ainda que na Internet (Ex: Seborga, Sealand, etc.)

Para Fabrice O´Driscoll, de fato, micronação é uma "nação muito pequena", uma coletividade humana organizada, com autogoverno ou uma aspiração de autogoverno, com leis próprias e um dado espaço. A micronação evolui dentro desse território, recusando o exercício da soberania de terceiros (Ver sobre: Quinto Mundo. Por oposição ao conceito de micronação, veja também macronação.)

Não há, até hoje, nenhuma medição precisa para quantificar o número de micronações que existem no mundo. No entanto, cadastros gerais e abrangentes, como o Micronations Database e a Enciclopédia Jéssica, variam entre 560 e 600 registros de países simulados, contabilizando tanto as ativas quanto inativas ou extintas, bem como "micronações online" e "micronações analógicas" (ou offline). Algumas estimativas de 2004, porém, acreditavam que o número de simulações ativas circulava em torno de 400 micronações. No entanto, na anglofonia, as derivatistas aumentam a cada dia, fazendo com que o número de micronações existentes no mundo não seja fixo ou preciso.

A maioria das novas micronações que surgem, principalmente na lusofonia, costumam durar apenas uma semana em média (no máximo um mês). Segundo o ideólogo Murilo Soto, isso se deve à dois fatores:

1 - Os novos micronacionalistas se desanimam rápido de seus projetos.

2 - Na lusofonia: os novos micronacionalistas desistem por não se acharem capazes ou que estão fazendo micronacionalismo do jeito errado, já que sofrem muitas críticas, ridicularizações e humilhações dos veteranos que "se acham os donos da verdade absoluta e os verdadeiros pais do micronacionalismo" (segundo as palavras de Soto).

Para Soto, o principal motivo das críticas aos novatos dentro do setor lusófono se deve ao paradigma Pedriano e Claudiano simulacionista realista que se criou em torno da lusofonia. Para Soto, é muito mais fácil um novato ser reconhecido na anglofonia, do que na lusofonia.


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